A consagração do amor

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Fotografia @ Pixabay | Cartaz © Laura Almeida Azevedo

Era finalmente o dia que ias assinar os papéis do divórcio. E tínhamos marcado um jantar para comemorar. Intermináveis pareceram os dias de espera para podermos estar finalmente juntos.

Quis fazer-te uma surpresa. Deixei a porta encostada. Indiquei-te o caminho com pétalas de rosas e velas acesas até ao meu quarto, onde eu esperava por ti. Estava com a lingerie rendada de cor preta, que comprei para ti, junto à janela de persiana semicerrada, que desenhava riscas de luz e sombra sobre o meu corpo.

Empurraste a porta do quarto a medo. Espreitaste… E os teus olhos brilharam mais que nunca. Sorriste. Com aquele sorriso lindo que te fica tão bem. O teu sorriso nervoso e apaixonado. E dali ficaste a admirar-me da cabeça aos pés, todo o meu corpo.

Aproximaste-te. Baixaste-me a alça do sutiã e deste-me um beijo no ombro. Sussurraste-me ao ouvido: «És tão linda». Olhámo-nos nos olhos. Afasta-te o meu cabelo, colocaste a tua mão no meu pescoço que me puxou para ti. Sabíamos que, finalmente, ia acontecer o beijo há muito desejado. Sabíamos que, finalmente, poderíamos celebrar o nosso amor.

Aproximámos os nossos lábios e deixámos acontecer aquele beijo demorado, que queria conhecer os movimentos, o sabor, o toque um do outro. Aquele beijo tanta vez sonhado. Aquele beijo cheio de paixão. Que foi ganhando intensidade e que acompanhou a descoberta do corpo um do outro, no meio de carícias e de desejo. Um desejo cada vez menos controlado. Um desejo tanta vez reprimido. Que finalmente estava livre para ser, para amar.

Fui despindo a tua roupa e descobrindo o teu corpo. O teu sabor. O teu cheiro. A tua pele. Abraçamo-nos naquele abraço que tinha o nosso mundo dentro. Abri as pernas e saltei para o teu colo. Abraçaste-me com os teus braços fortes e deitaste-me na cama. Admiraste cada detalhe de mim com o teu olhar doce e apaixonado. Deste-me a conhecer as tuas carícias, o teu toque, a sensação dos teus beijos em todo o meu corpo.

Cada vez mais excitados, pedi-te para nos tornarmos um só. O nosso corpo unido, as nossas bocas inseparáveis, os nossos corações a baterem ao mesmo ritmo. Finalmente, éramos um só! Duas almas que se reconheciam, dois corações que se amavam, dois corpos que se desejavam, estavam finalmente unidos. Movimentos lentos de quem queria apreciar cada detalhe, alternados com movimentos rápidos de quem não conseguia esperar mais. A nossa respiração cada vez mais ofegante, os gemidos de prazer, os nossos corpos suados. Até culminarmos, em uníssono, numa explosão de prazer.

Com os olhos a brilharem e os sorrisos felizes soubemos, ali, naquele momento, que tinha compensado o tempo de espera. E que teríamos agora uma vida inteira para sermos felizes. Desta vez, juntos!

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CARINA MAURÍCIO, a fotógrafa
É budista e conservadora-restauradora. É de riso e choro fáceis. Tem tanto de sensível, quanto de corajosa e lutadora. Adora fotografar, jogar ténis e viajar. Viciada em comida, é fã de comida italiana. Gosta de dormir, de café, de chocolate. Dançar? Pode ser a noite toda. Mas também gosta de ficar na ronha, em casa, entre filmes e pipocas. Adora o som da chuva a cair no inverno e o som do mar em dias de verão. Campos floridos enchem-lhe o olhar, assim como as cores das folhas do outono. Apaixona-se facilmente e é uma apaixonada pela vida. Uma geminiana pura.