Procuro-te

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Fotografia © Pixabay | Cartaz © Laura Almeida Azevedo

Desloco os pés, descalços, de forma suave entre os lençóis. Procuro-te. Esta noite, preciso que me precises e me deixes adormecer em ti. Não suporto mais a ausência do teu toque. Preciso que me acolhas, entre os teus braços, e me devolvas à tua vida. Não posso perder-nos assim – não agora.

Deslizo, mais um pouco, sobre a cama — sigo na tua direção. Encontro o teu corpo, mas tu não te encontras presente; manténs-te indiferente à minha chegada. Receio que não me sintas mais aqui, que não me queiras manter cá. Neste momento, é-me insuportável suportar esta dor que tu me causas. Estou cansada de ser a sombra que repousa ao teu lado.

Numa última tentativa, conduzo a minha mão – desesperada – até ao teu rosto. Talvez me permita descer um pouco mais. Ou talvez não. O vazio que encontro em ti não me permite continuar. Fico transparente sobre a tua pele — nada sobre nada. Seguro as lágrimas, que se aproximam, e regresso ao meu lugar. Aconchego-me, dentro do fato, mas não deixo de sentir frio.

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ANA LÚCIA, a menina
Ana Lúcia é a menina que conta histórias, a mulher que não desiste de ser criança. No fundo, é isso mesmo – simples assim. Uma menina que se desdobra em personagens. Uma menina que se encontra nas letras. Uma menina que não desiste de sonhar.